quinta-feira, 21 de maio de 2009

Jacobina e as minas de ouro...


Hoje, gostaria de postar esse texto apenas para trazer à luz uma história desconhecida por muitos.

"A década de 1980 em Jacobina pode ser assinalada como um período de euforia em razão da atividade mineradora que era muito incentivada por alguns segmentos da sociedade local. Reeditava-se o discurso da geração riquezas do país, do estado e do município, da geração de empregos e renda, discurso que terminava seduzindo um número significativo de pessoas não só de Jacobina, mas, sobretudo de outras localidades da Bahia e do Brasil. A maioria dos trabalhadores de subsolo da empresa mineradora era proveniente dessas áreas rurais. Sonhavam e acreditavam em um futuro melhor para si e para sua família. Nesse cenário, encontravam trabalho na mineradora que ofertava empregos em larga escala. Trabalharam e arriscaram suas vidas em uma atividade de risco, perfurando rochas abaixo da superfície, de maneira intensa e quase sem proteção e segurança. O trabalho que deveria ser um meio de vida em muitos casos conduziu aqueles trabalhadores à morte, produzindo acidentes e doenças. Uma dessas doenças, a silicose levou um número de trabalhardores ao adoeciemtno e de maneira mais radical à morte. O convívio com a silicose afetou de muitas maneiras a vida de mineiros e suas famílias. Em um primeiro momento, a desconfiança e, posteriormente, a confirmação da doença significaram tranformações no curso da vida, promovendo também alterações no cotidiano daquelas famílias. Ao se tornar incapaz para a atividade laborativa, o mineiro, portador de silicose, muitas vezes desenvolveu um sentimento de impotência diante da vida, tomando consciência de que o trabalho realizado, durante longos anos na empresa Morro Velho, o expulsara do mundo nomeado produtivo."

Esse texto eu retirei de um artigo da professora Sara Oliveira Farias e é resultado de algumas considerações que são analisadas na sua tese de doutorado, intitulada "Enredos e Tramas nas minas de ouro de Jacobina." Recife. UFPE, 2008. O artigo é muito interessante, analisa relatos de mineiros e suas famílias e tenta compreender através dos variados discursos produzidos, como se reconheceram nessas relações de tabalho, como tomaram conhecimento sobre a silicose e como assimilaram na memória esse período de suas vidas. Vale apena ler, eu recomendo! ;)

Obs: Sara Farias é Professora Doutora da UNEB - Departamento de Ciências Humanas Campus IV . Inclusive, é minha orientadora no TCC.

Bibliografia: FARIAS, Sara Oliveira. Tecendo histórias, contando a vida. In.: Narrativas, Experiências e Memórias. Vários Autores. Ex Libris: Guarapari-ES, 2008.

8 comentários:

Véu disse...

Muito interessante e polêmico o tema. Me fez lembrar da visita desse domingo, quando estive na Igreja das Figuras. Para quem estuda história é uma viagem pelo tempo, rs. As ruínas nos levam ao período da exploração de ouro e consequente escravização de negros e índios, ponte para o entendimento do presente. Vale a pena marcar com um grupo de estudo para conhecer! Abs.

Vilane V.B.Rios disse...

Já ouvi falar, muito, dessa igreja. Minha turma não teve oportunidade, mas outras turmas da UNEB foram recetemente, tiveram uma aula de campo lá.

Brigada pela visita!

Thalita disse...

Olá, meu nome é Thalita sou da cidade de jacobina-Ba, a jacobina que a professora fala no texto é a localizada na Bahia mesmo?
A mineradora voltou a cidade,com os mesmos objetivos, mas não vejo melhorias na estrutura, a doença abordada, a silicose, é abafada, os casos são escondidos para não prejudicar a propria mineradora, os medicos da cidade não faz o diagnostico.. tem que ser feito em salvador, achei muito bom o texto=D
minha professora de história abordou esse assunto essa semana e nos mostrou um documentário feito na época, as imagens são amadoras mas dá para ver nitidamente a situação do periodo. tenho 16 anos e curso o ensino médio

oldairg disse...

meu avo faleçeu trabalhando nesta empresa e meu pai trabalhou 15 anos la ou seja parte da minha familia trabalhou la

oldairg disse...

meu avo faleçeu trabalhando nesta empresa e meu pai trabalhou 15 anos la ou seja parte da minha familia trabalhou la

Vilane V.B.Rios disse...

Oi Thalita, esse texto fala sobre Jacobina da Bahia, sim! Eu também sou de Jacobina.

kamilla disse...

oi Vilane, sou do rio e estou pesquisando sobre as condições de trabalho de mineiros para minha monografia. interessei em comprar o livro mas não consegui achar em nenhum site de livros. como faço p comprar? em que página do livro está esse parágrafo que você postou? Abs.

Eugenio Dantas disse...

Oi,
Quando conclui o curso de Geologia na Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte eu estagiei 6 meses na mina Morro Velho aí em Jacobina trabalhando na Mina Itapicuru. Nesse tempo (1987), a Mina de Canavieiras já estava fechada e a de João Belo em fase de iniciação. Hoje sou geólogo aqui em Natal e lembro bem dos dias que passei ai. Foi um bom período onde aprendi bastante.
Eugênio